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terça-feira, 24 de julho de 2018

A Livraria | Crítica do filme


A Livraria
Título: A Livraria (The Bookshop)
Realizador: Isabel Coixet
Estreia: 21 de junho de 2018
Trailer & Sinopse: Em anexo
Idade que Recomendamos: +14 anos (maturidade)
Género: Drama e Romance

Para além da beleza cénica e temporal, "A Livraria" exprime a paixão pela leitura. O elenco principal interpretou garbosamente.


Com todos os filmes que se encontram no cinema, "A Livraria" pode passar desapercebida. Todavia, merece mais atenção. Não só é uma produção europeia (Alemanha, Espanha e Reino Unido), como expõe uma época de costumes e valores quase centenária. 

Fugindo ao tema exaustivo e deprimente da pós-guerra, a protagonista viúva, Florence Green (Emily Mortimer), reencontra o ânimo junto dos livros. Humilde e determinada, Florence presenteia-nos com um conjunto de metáforas que, embora decorridas na sociedade dos anos 60, encaixam como uma luva no nosso quotidiano. Sublinho a personalidade extremamente bondosa da protagonista que, embora não considere um defeito, pode incomodar alguns olhares (o seu caráter afável expõe-na a várias situações de ignorância facilmente evitáveis). 

A Livraria

O final é um aspeto a enaltecer. O pior que podia ter acontecido, aconteceu. Porém, o desfecho não deixou de ser belo, ou de deter uma felicidade serena (existente em quase todo o filme). Como é presumível, "A Livraria" tem as suas pausas e monotonias, que conferem outra das qualidades mais apreciadas: os pormenores. São várias as vezes em que nos encontramos a imaginar sensações, como o cheiro do bolo ou o toque áspero da capa do livro; e ainda outras impressões que só se costumam vivenciar nos livros.

Por fim, falta referir a elegância do elenco. Podemos resumi-lo a três atores principais, cada um responsável por um aspeto fulcral. Um salve especial a este trio: Patricia Clarkson, Bill Nighy e, claro, Emily Mortimer. 

"A Livraria" apresenta uma perspetiva realista, serena e agradável duma sociedade passada. Se és um leitor ávido, este filme deve fazer parte dos teus planos de fim de semana.

Sinopse | A LIVRARIA

Baseado na novela homónima de Penélope Fitzgerald, conta a história de Florence Green, uma viúva que decide abrir uma livraria em Hardborourgh, uma tranquila localidade inglesa, nos anos 50.

Com a ajuda da sua amiga Christine, Florence escolhe uma antiga casa da aldeia para abrir o seu estabelecimento, o que incomoda alguns dos locais, nomeadamente a Violet Gamart, uma mulher difícil que tudo tentará para comprometer o projeto. 

Apesar de tudo, graças ao seu novo trabalho, Florence encontrará o Sr. Brundish, um fiel cliente da livraria com quem estabelecerá um relacionamento especial.

Trailer | A LIVRARIA


Avaliamos — 4,2/5 estrelas

A Livraria

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Alvorada Vermelha, de Pierce Brown | Resenha Literária


Alvorada Vermelha, de Pierce Brown
Título: Alvorada Vermelha (Red Rising)
Autor: Pierce Brown
Lançamento: março de 2015 (1ª edição)
Tradutora: Miguel Romeira

"Alvorada Vermelha" apresenta uma distopia cativante, embora pouco invulgar. As suas personagens detêm muito caráter e são, claramente, a sua maior qualidade.


Caracterizado pelos críticos e pela própria Amazon como o seguimento do entusiasmo da saga "Hunger Games" ("Os Jogos da Fome"), "A Guerra dos Tronos" e "Divergente", "Alvorada Vermelha" dá-se num futuro distópico onde o ser humano é classificado consoante a sua cor que, por sua vez, é atribuída de acordo com as características de cada um. Numa primeira análise, não é o conceito mais original, podendo compará-lo a outras distopias e, principalmente, com o recente filme young adult "Mentes Perigosas" (inspirado no livro homónimo, que antecede a carreira literária Pierce Brown).

A escrita é simples e juvenil. Inicialmente, os termos exclusivos do romance — como "garraFuradeira", "TestasDouradas" e "OcasiãodoLouvor" — podem confundir e o calão abundante não é do mais agradável. No entanto, depressa nos habituamos e afeiçoamos a esta gíria peculiar.

Alvorada Vermelha, de Pierce Brown

As personagens, jovens e carismáticas, encantam à medida que experienciam os horrores e prazeres da vida. Talvez por isto o enredo não seja tão inédito e indicado para leitores com anos de prática. É fundamental que as personagens descubram o significado do amor, a ousadia da humildade e a pertinência da paciência, no entanto, o modo como são abordados já se verifica repetitivo. Paralelamente, encontramos diversas referências ao ultrapassado império romano, aproximando a elite romana aos Dourados, a casta que domina a sociedade do romance (um dos pormenores que mais apreciei).

Apresentado sob a perspetiva de uma personagem — Darrow, um  jovem vermelho —, o romance pode ser divido em duas partes. A primeira, na minha opinião a melhor, apresenta-nos a realidade inacreditável em que Darrow nasceu e aprendeu — onde aos 13 anos já se é homenzinho que chegue para trabalhar e casar e aos 40 o ancião da comunidade. São nestas páginas que o escritor desenvolve um conjunto de pensamentos meritórios, abordando a ignorância do povo, a facilidade com que a mente é influenciada e ainda outras alegorias inspiradas no nosso quotidiano. Esta primeira fase termina com a superação de vários obstáculos surpreendentes e pessoais, como (alerta spoiler) a morte frívola, mas muito sentida, de Julian au Bellona.
A segunda parte do livro retrata uma guerra articulada, mas que chega a ser cansativa (afinal, são 200 páginas de investidas e contra-ataques!). Alguns golpes correram nitidamente “demasiado bem”, e o contexto de distopia não está tão presente.

Alvorada Vermelha
Uma das músicas e sacrifícios do povo de Darrow.

Mal terminei a leitura, investiguei e descobri que "Alvorada Vermelha" é o primeiro livro de um saga de seis. Curioso por saber como terminariam as amizades de Darrow, li o segundo e o terceiro volumes em 2 dias. Contrariamente ao que esperava, são um infeliz prolongamento da segunda parte de "Alvorada Vermelha", ou seja, armas, traições e guerras com menos moral e muita estratégia. Para além de entediantes, verificam-se livros confusos e equivocados. Perante esta crítica, podes perguntar-me «Porque te deste ao trabalho de ir tão longe na leitura?» A resposta é simples: «Apesar do tema fatigante, apaixonei-me pelas personagens secundárias».  Embora Darrow, o protagonista, não possua grande caráter (ou talvez possua em demasia, o que o leva a equivocar-se e anular-se), ele caracteriza e exprime a personalidade das outras personagens de uma maneira deliciosa e muito cativante.

Por fim, acredito que o grande sucesso de Pierce Brown se deve à caracterização garbosa das suas personagens. De momento, o autor encontra-se a concluir a sua segunda trilogia, que dá continuação a esta primeira. Aguardarei futuras obras do escritor, independentes de "Alvorada Vermelha", com a expectativa de encontrar as suas personagens características aliadas a um enredo brioso — nesse altura, poderei dar-lhe mais estrelas.

"Alvorada Vermelha" é um romance com personagens apaixonantes e um cenário promissor. A meio do livro, a tenacidade da história é trocada pela chama aliciante da guerra — Pierce Brown esqueceu-se de que esta chama é impiedosa e depressa enfarta.


P.S. — Depois de desenvolver a crítica, li opiniões de outros bloggers e leitores. Surpreendi-me quando descobri que (quase) todos deram 5 em 5 estrelas ao livro. Como já referi, adorei as personagens. No entanto, isso não chega para me fazer idolatrar "Alvorada Vermelha". Não desprestigio nem nego as resenhas que li, simplesmente não reconheço a minha leitura nelas.

Sinopse | CONHECE A REALIDADE DISTÓPICA DE ALVORADA VERMELHA

Alvorada Vermelha é o primeiro volume de uma trilogia que tem tudo para conquistar a legião de fãs de Os Jogos da Fome.  

Passa-se numa altura em que a humanidade começou a colonizar outros planetas, como Marte. Darrow é um jovem de 16 anos que pertence à casta mais baixa da Sociedade, os Vermelhos, uma comunidade que vive e trabalha no subsolo marciano com a missão de preparar a superfície do planeta para que futuras gerações de humanos possam lá viver. No entanto, em breve Darrow irá descobrir que ele e os seus companheiros foram enganados pelas castas superiores. Inspirado pelo desejo de justiça, Darrow irá sacrificar tudo para se infiltrar na casta dos Dourados… e aniquilá-los! 

Vingança, guerra e luta pelo poder num romance de estreia trepidante que nos prende de imediato pelo ritmo e originalidade do trama.

Avaliamos — 2,8/5 estrelas

Alvorada Vermelha, de Pierce Brown

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Sono, de Haruki Murakami | Resenha literária


quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Sete Estranhos no El Royal | Análise de cinema


Título: Sete Estranhos no El Royale (Bad Times at the El Royale)
Realizador: Drew Goddard
Estreia: 18 de outubro de 2018
Idade que Recomendamos: +16 (maturidade, cenas sangrentas e perversas)
Género: Mistério Psicológico (Drama e Suspense)
Duração: 140 minutos

Tipicamente americano, “Sete Estranhos no El Royal” apresenta uma parábola que quer ser diferente. Mas, no fundo, será tudo areia da mesma praia?


Para começar, destaco os cenários e adereços cénicos. São a particularidade mais briosa do filme, sob o pretexto do decadente hotel luxuoso El Royale, construído na fronteira entre os estados da Califórnia e do Nevada. No estabelecimento, os hóspedes têm a opção de residir no glamoroso Nevada ou no majestoso sol poente da Califórnia. Embora a ideia não seja inédita, foi abordada com eloquência, conseguindo conciliar beleza estética com um ambiente mortífero.

O filme tem uma boa dose de mistério vintage. Com mais de duas horas de duração, há oportunidades para apresentar e aprofundar cada uma das personagens, que, como o próprio título indica, se resumem a sete entidades.


Sendo os mistérios psicológicos um dos temas que mais aprecio, é de esperar que conheça vários títulos do tema e, apesar de "Sete Estranhos no El Royale" se distinguir pela sua expressividade estóica, dispersa-se nas trivialidades que regem os filmes americanos. Revela semelhantes a outros títulos do género, como "Terminal". Todavia, a grande desilusão veio com o final mais feliz e esperado possível e da consciência das personagens. Muito embora tentem desenvolvê-las seguras e de mentalidades distintas, elas vão de encontro à ação padrão do guião.

Abordando o elenco, acredito que se justifica a separação deste em dois grupos — o dos naturais e o dos artificiais. Por um lado, temos o dos naturais, onde incluo o Jeff Bridges, a Cynthia Erivo, a Dakota Johnson e o Jon Hamm.  Este grupo contribuiu para o encanto do El Royale, com atuações exímias e autênticas. Curiosamente, foi este conjunto de estrelas a iniciar o filme. 
Por outro lado, mais tarde surgem os atores Chris Hemsworth, Cailee Spaeny e Lewis Pullman. Cada um destes três representa uma classe profunda, ainda que minoritária, da sociedade. Porém, todos carecem de individualidade e veracidade. Não há dúvidas que o Chris Hemsworth era o grande destaque deste filme, não só pelo seu papel como Thor na saga "Vingadores" como também pela sua prestação shirtless durante a longa-metragem. Começou com o pé direito, encarnando um vilão em ascensão, para terminar aos tropeções, como uma personagem débil e carente.

Parte do 'grupo dos naturais'

O filme é comprido, desenvolvendo-se numa primorosa primeira hora e meia imprevisível (dedicada ao 'grupo dos naturais'). Depois, aproxima-se do desfecho e entra em declínio, onde encontramos  um fim indigno.

"Sete Estranhos no El Royal" vive um policial ao estilo dos anos 70, onde a derradeira questão é — quem acabará vivo? A resposta verifica-se, infelizmente, frouxa.


Sinopse | CONHECE ESTE HOTEL DE SONHO

Sete estranhos, cada um com um segredo por enterrar, encontram-se no El Royale, em Lake Tahoe, um hotel decadente com um passado sombrio. Durante uma noite fatídica, todos terão uma última oportunidade de se redimir... antes que tudo corra mal.

Trailer | RESERVA UM QUARTO NO EL ROYALE


Avaliamos — 4,1/5,0 estrelas


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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Mamma Mia: Here We Go Again! | Análise

Mamma Mia: Here We Go Again!
Título: Mamma Mia: Here We Go Again!
Realizador: Ol Parker
Estreia: 19 de julho de 2018
Trailer & Sinopse: Em anexo
Idade que Recomendamos: +10 anos
Género: Drama, Comédia e Romance

"Mamma Mia: Here We Go Again!" arrisca e agrada. Embora tenha alguns equívocos, estes são suplantados pela tenacidade do elenco.


Era expectável que a continuação do icónico musical "Mamma Mia!" não fosse tão briosa.  Contrariamente à sequela de outro filme triunfante, nomeadamente "Jurassic World 2", "Mamma Mia: Here We Go Again!" concebeu acurados flashbacks, como a velhinha a carregar galhos,  que recordam o original com encanto.

Na outra face da moeda, "Mamma Mia! 2" não tem um argumento tão coeso e apurado. Existem cenas demasiado espontâneas, outras descontextualizadas e ainda forçadas. A maioria delas ocorre na segunda parte do filme, nomeadamente com as aparições de Ruby (Cher), a mãe da Donna, e da própria Donna (enquanto Meryl Streep). Não só Ruby é forçosamente bem aceite pela família, e rapidamente o centro das atenções e do amor, como a Meryl Streep aparece numa cena acessória (tendo em conta o resto do enredo, é desnecessária). Fiquei com a sensação que, como estas atrizes são exclusivas e dispendiosas, restringiram o seu tempo de antena, focando os holofotes nos breves momentos em que aparecem (como quem espreme uma laranja até esburacar a casca).
Algumas das frases trocadas entre as personagens e Sophie (a filha de Donna) são mecânicas e excessivas, principalmente (SPOILER ALERT) quando Sophie tenta satisfazer a mãe, parecendo querer ocupar o seu lugar em vez de homenagear a sua memória.

Mamma Mia: Here We Go Again!

À parte da crítica, a maioria do elenco representou com afinco. Muitos viram e apreciaram o primeiro musical quando estreou. Assistir à sequela com as mesmas personagens, dez anos depois, é um luxo. Alguns dos atores mais velhos começam a vacilar, algo normal tendo em conta a movimentação do musical. Os novos membros do elenco são  melhor aquisição. Principalmente as três jovens que representam o tripleto Donna & The Dynamos no passado. A atriz Lily James brilhou como Donna jovem, algo espetável após o seu belo desempenho em "Guernsey - A Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata".

A alegria e humor de "Mamma Mia: Here We Go Again!" são de louvar, atentando a morte de uma das personagens mais amadas. As músicas dos ABBA contribuem para o efeito, tal como a performance melódica das personagens. Nesta qualidade, as representações de Lily e Cher destacam-se.

Mamma Mia: Here We Go Again!

Por fim, falta abordar os efeitos cénicos e o guarda-roupa. Não seria surpresa se fossem a pior faculdade do musical. Com o custo exorbitante do elenco, mal sobra orçamento para o resto. Felizmente, não é bem isso que se verifica. Os adereços não faltaram, especialmente o guarda-roupa singular de Dona e o design simples, mas robusto, de Ruby (Cher). De um modo geral, os cenários não ficaram muito atrás, excluindo alguns artifícios mal-concebidos.

"Mamma Mia: Here We Go Again!" remonta à euforia e humor do musical original, com um desempenho menos exclusivo e consistente.


Sinopse | MAMMA MIA: HERE WE GO AGAIN!

Na sequela de "Mamma Mia!", Sophie descobre que está grávida e procura inspiração para os momentos que se avizinham nas alegrias e tristezas de Donna, a sua própria mãe.

Nos anos 70, a jovem Donna viveu inúmeras aventuras com o seu grupo musical, Donna & The Dynamos, na companhia das amigas Tanya e Rosie. Porém, mais do que isso, apaixonou-se e viveu relacionamentos intensos com três homens bem diferentes: Harry, Sam e Bill.

Trailer | CONTAMINA-TE PELO ÂNIMO DESTE MUSICAL


Avaliamos — 3,0/5 estrelas

Mamma Mia: Here We Go Again!

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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Editoras | Como te preparares, a escolha, o contacto....

Como Publicar um livro?

A cada dia se publicam centenas de livros pelo mundo. É um facto! O que já não é tão coerente é o mercado editorial português. Neste artigo, tenciono abordar alguns temas relacionados com as editoras nacionais e do conceito em torno de publicar um livro.
Muitos já pensaram em escrever um livro, mas e quanto a publicá-lo? Que editoras deves contactar? Como? É fácil? Estas são algumas questões que nem sempre são fáceis de responder.

Primeiro, há que desmistificar o mito das vendas loucas. Se pensarmos que, por norma, o escritor apenas recebe 10% da venda de um livro (designado direitos de autor) então o que acontece ao resto? Usemos o exemplo da Joana (quando digo Joana, digo alguém). Ela tem o livro à venda nas livrarias por 15€, recebendo, então, 1,50€ por cada exemplar vendido (os direitos de autor). O que é feito dos 13,50€ que sobram? Bem, numa edição normal, a editora recebe 35% da venda, 5,25€, neste caso, e a fatia maior vai para a livraria, 45% (6,75€). Se fizermos as contas, sobram ainda 1,50€. Alguma ideia de para quem são? As distribuidoras que reabastecem as livrarias. Recebem tanto como o autor.
Podemos pensar "A editora ainda recebe uma boa parte, porque não cede mais um pouco ao autor?". Na verdade, a própria editora não lucra muito, pois tem de pagar ao revisor, a quem fez a capa do livro, quem paginou, à gráfica que o imprimiu, à promoção do livro, aos livros oferecidos a blogues, revistas...  Isto tudo, principalmente se for uma tiragem pequena (que falaremos mais à frente), torna pouco flexível as manobras editoriais.

Estive a dizer-te isto com que cabimento? A verdade é que eu sou maluco... Ou nem tanto. É importante entender que, com pouca margem para erros, as editoras não podem apostar em todos os livros com potencial que lhe são disponibilizados. Até porque muitos nem o tem e as grandes empresas editoriais preferem apostar em autores estrangeiros que já tenham mostrado sucesso no exterior do que num autor nacional pouco ou nada conhecido. 
No entanto, isto não é razão para perder o ânimo, mas sim para caprichar na obra! Revê o teu manuscrito as vezes que forem necessárias antes de o enviares para as editoras. Se pensares que o teu livro tem algo que o diferencia dos restantes, algo que lhe dará brio quando comparado com semelhantes, seja o tema, as imagens, o título... Refere-o quando contactares à editora (mas nada de exageros! Será contraproducente dizer à editora que está perante o próximo Saramago). Um editor não é um monstro de três cabeças. É apenas um empreendedor a tentar adivinhar qual será a obra certa para apostar. O mercado é um tecido vivo, sempre sujeito à mudança do meio e ao interesse do público. Nós, como leitores, compomos esse tecido vivo.

Como Publicar um livro?

Depois de concluíres a tua obra completa e de a reveres eximiamente bem, está na altura de escolher qual/quais editoras contactar. Atualmente, podes enviar a tua proposta por e-mail ou por correio físico. Hoje em dia já não é tão comum receber um manuscrito físico e, se imprimir uns quantos originais não afetar a tua situação económica, pode fazer a diferença entre ser lido com atenção... ou não (caso o envies por e-mail, em conjunto com tantos outros interessados).
  Na escolha das editoras a contactar, certifica-te que elas publicam o tema do teu original. Por vezes, pode ser mais proveitoso contactar editoras mais jovens e regionais do que as grandes nacionais que, na sua maioria, só aceitam pessoas célebres ou estrangeiros. Enviar o teu original para 10 editoras é um número aceitável, principalmente se estiveres a tentar as grandes empresas.

Como contactar uma editora? Bem, talvez fosse mais prático se colocasse um modelo/exemplo de um e-mail correto e, a partir dele, podias adaptar ao teu objetivo. Infelizmente, tal modelo não existe. Os editores privilegiam contactos originais, apelativos e que captem a sua atenção, e tem em consideração que a sinopse e a carta de apresentação podem descartar a hipótese de o livro começar sequer a ser lido.
É provável, mesmo que o seu livro tenha uma enredo cativante, coerente e correto, que receba os tão temidos "Obrigado por nos ter apresentado o seu original. Lamentamos, mas...". Não quer dizer que não sejas bom escritor ou que a história não seja nada de especial, simplesmente que a obra não se enquadra no plano comercial da editora ou que esta nem teve interesse em lê-lo. A Saída de Emergência, por exemplo, sendo uma editora de fantasia, é escusado escreveres-lhe uma carta a apresentar o teu romance histórico (por exemplo).

Isto leva-nos à parte do "Sim". Nesta parte, é preciso ter alguns cuidados, nomeadamente se ainda não fizeste todo o teu trabalho de casa... No mundo editorial, há editoras profissionais com diversas chancelas (que não cobram a publicação da tua obra, como a Porto Editora). Todavia, também há as prestadoras de serviços que cobram pela edição do livro (a maior parte destas tem graves problemas em fazer o livro chegar às livrarias. Se estiveres a pesquisar editoras no google, salta aquelas páginas que dizem anúncio, porque essas empresas não costumam ser muito (nada) eficientes). Ainda temos as editoras mais pequenas, que são meio que engolidas pelas grandes que dominam o mercado. Sabias, por exemplo, que aquelas ilhas no meio das livrarias costuma ter um preço às editoras, por ter mais destaque?
  Não é demais salientar que, sendo autor nacional e caso pretendas publicar a tua obra com uma editora jovem, é provável que não vás encontrar muitos exemplares teus na Fnac/Bertrand... Estas são empresas que não privilegiam os escritores portugueses e só se o pouco material aceite for vendido é que pedem mais. Caso contrário, devolvem-no. Não é para levar a peito, são apenas negócios.

Contactar uma editora

Relativamente à parte da receção do(s) contrato(s), tem cuidado com os termos. Se ficares com dúvidas em relação a alguma cláusula, não hesites em contactar o editor para clarificar a situação. Se, mesmo assim, não te sentires seguro, contacta um advogado da área. É melhor prevenir do que remediar!

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Cinema interativo pela 1ª vez em Portugal

Pela primeira vez em Portugal, os espectadores decidem, em tempo real, o final de um filme no cinema. É o caso de "Linhas de Sangue", a estrear amanhã.


Esta iniciativa inovadora decorre de 26 a 29 de julho, nas sessões de "Linhas de Sangue’", nos Cinemas NOS Colombo (21h30), Cinemas NOS Braga Parque (21h10), Cinemas NOS NorteShopping (21h10) e Cinemas NOS Fórum Algarve (21h40). No início de cada sessão, cada espectador recebe um comando, através do qual escolherá um de dois finais possíveis. O final mais votado será aquele que será exibido.

Linhas de Sangue

Realizada por Manuel Pureza e Sérgio Graciano, "Linhas de Sangue" é uma comédia nonsense que conta com a participação 54 atores portugueses, destacando Catarina Furtado, Débora Monteiro, Joaquim Horta, José Fidalgo, José Raposo, Marina Mota, Miguel Costa, Paulo Pires, entre muitos outros.

Sinopse | LINHAS DE SANGUE

Um conjunto de malfeitores ameaça a ordem e a paz em Portugal. A resposta não tarda e logo surgem heróis, mais ou menos acidentais, sob a batuta de uma velha glória das forças secretas portuguesas, que vão resolvendo uma série de incidentes que ameaçam a soberania nacional. Mas, como já estamos todos habituados, o pior dos inimigos está a guardar-se para o fim.

Será o nosso grupo de bravos e corajosos, suficientemente forte para enfrentar a ameaça do Chanceler?

Trailer | PREPARA-TE PARA O PRIMEIRO FILME INTERATIVO DE PORTUGAL

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A Livraria | Crítica do filme

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terça-feira, 11 de julho de 2017

CÓLERA — A Opinião da Obra

Título: Cólera
Autor: Denis Marquet
Sinopse: Vê embaixo
Lançamento: 2002
Editora: Editora Livros do Brasil (Portugal)
Tradutor: Maria Emília Ferros Moura

  Cólera foi o último livro que li, e é com toda a força que conquista um lugar no meu TOP 10. 


  Admito, com profundo desgosto, que a crítica que vos transmito está envenenada! Este livro não se encontra disponível em NENHUMA cadeira livreira relevante. A única maneira do encontrarem é como eu fiz, num alfarrabista ou numa deliciosa livraria tradicional. 
  Ao contrário de Espanha, Brasil e França, somos um país que não guarda espaço para conhecer livros de grande calibre. Cólera é desses livros e eu agradeço à Editora Livros do Brasil, por ter traduzido o título para Portugal, mesmo que ainda não o tenhamos reconhecido.

Para mim, um bom livro não precisa de ter prémios, de ser destacado ou conhecido, mas de mexer comigo. Cólera tocou-me em vários aspetos:

  1. Coloco Cólera nos melhores livros de ficção que li pela cultura em biologia, geologia, etnologia, sismologia e muitas outras áreas, sendo cativante e inesperado;
  2. Ponho Cólera nos melhores filosóficos que li pelos temas religiosos, interiores e pessoais que aborda, explora e enraíza, sem abusar ou ferir.
  3. Julgo Cólera nos melhores romances que li pela variedade de conceitos que o AMOR aborda, até em diferentes momentos de um mesmo casal, como noutros, desde as mentes mais limitadas às mais vastas.


Confesso que ainda estou a chegar à meta dos 50 livros lidos este ano, porém, Cólera é indubitavelmente o que mais apreciei até hoje. Não foi uma leitura rápida ou intensa, prezo o livro por ter conseguido cativar-me de forma a não mo deixar abandonar, mas também de não me obrigar a devorá-lo num só dia, para o abandonar no seguinte. NÃO! Cólera permitiu-me saboreá-lo e, por isso, também o coloco nos melhores livros franceses que já li.

  Para acabar, Cólera não é sobre cólera em si (como inicialmente supus), sim sobre algo muito mais profundo e complexo, como tiveram oportunidade de reparar. Não acreditei, quando soube que é o romance de estreia do escritor! A par disso, a tradução está muito bem feita, mesmo tendo reparado no cansaço do tradutor com as gralhas das últimas páginas. 

 Aconselho vivamente a quem procura refrescar a memória e a sua conceção da vida.  
 A minha mudou. 


Sinopse

A Terra. Explorada, martirizada, desfigura.
A Terra revolta-se.
Sismos, cheias, ciclones erupções vulcânicas, vírus letais...
Face a uma série de catástrofes sem precedentes, cientistas do mundo inteiro sentem-se perplexos. Uma mulher, em contra-partida, compreendeu. Porque soube pagar o preço. Mas será que o mundo está pronto para escutar essa mulher? 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O DIA EM QUE O MAR VOLTOU - Opinião

Resultado de imagem para o dia em que o mar voltou
Título: O Dia em Que o Mar Voltou
Autor: Miguel Gizzas
Editora: Gradiva
Sinopse: Ver aqui
Lançamento: agosto 2016


  "Especial, delicado, de tirar o fôlego" é assim que defino este livro. Não sabia o que estava a fazer, quando o comprei... Com a sua sinopse apelativa e pressagiosa de que a calamidade, o terrível terramoto de 1755, se repete em Portugal, mistura e arquiteta personagens de algum modo... Fantásticas! Cada uma delas é única e retratada duma forma sinfónica e fluída a sua escrita bela. 
  Para além da obra fictícia em si, Miguel acrescenta um toque poético ao livro com alguns poemas anexados entre as páginas melódicas do enredo. Como se isso ainda não chegasse, o escritor intitulou uma música a cada poema, de maneira a que, enquanto lemos poesia a meio do romance, a ouçamos cantada, um complemento musical que nos transporta ainda mais para dentro da distopia.

  Se tiverem o livro à mão, abram-no na página 22 (ou visitem a livraria) e leiam esse pequeno capítulo.. Façam isso, percam 5 minutos e não precisarei de dizer mais nada. 

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Espírito da Livraria Simões - Oferece Livros

  A Livraria Simões faliu faz agora dois anos. Durante esse tempo 500. 000 livros ficaram abandonados... Mas não ficará para sempre assim! 

  O seu titular, o alfarrabista Simões, decidiu concretizar o sonho a milhares de sonhadores... Vai estar a oferecer este sábado (4 de fevereiro), das 10h às 12h30, os quase 500.000 exemplares que tem em estoque.

  
Esta livraria localiza-se em Faro, na Rua do Alportel, nº 86-A
Aconselha-se aos interessados levarem uma lanterna, pois o edifício já não tem eletricidade e há alguns locais pouco iluminados.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Tencionas publicar um livro? | Workshop gratuito

A Bertrand Editora e respetivas livrarias têm o prazer de te convidar para o workshop Como Publicar o seu Livro, com a presença da experiente Rita Canas Mendes. 


O workshop terá lugar este domingo (dia 15) às 16h00 na Livraria Bertrand do Chiado, em Lisboa. É uma oportunidade única para quem procurar enveredar pelo mundo editorial. Infelizmente, estarei demasiado longe para marcar presença... e tu?

Como Publicar o seu Livro, Workshop

Embora não tenha realizado a recensão deste título no blogue, já o li faz meses e posso assegurar que é a aquisição ideal se procuras conhecer a carapaça do mundo editorial nacional. Somos um país diferente e pequeno, pelo que este livro completa algumas lacunas que até então estavam por preencher.

Esta iniciativa enquadra-se na celebração do Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor do Grupo BertrandCírculo. Descobre mais projetos para este mês festivo aqui.


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Tempos Esquecidos, Nora Roberts

Tempos Esquecidos | Opinião da obra de Nora Roberts


Annwn, Célia Maria

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Flâneur e João Tordo são duas entidades singulares.

  Na passada quinta-feira, estive presente num dos jantares da livraria Flâneur (SIM, livros e comida, ainda por cima de um Chefe Italiano! Foi fenomenal.). Fui, porque tinha o desejo de conhecer este espaço exclusivo. Saí satisfeito e ainda tive a oportunidade de conhecer o escritor João Tordo, que apresentou o seu último livro: O Deslumbre de Cecilia Fluss.

Um dos cantinhos acolhedores da Flâneur


  Nessa noite, por ocasião do trabalho, saí da Flâneur sem livro e sem a devida dedicatória, mas com a promessa de, num próximo encontro, os trazer. O escritor transparece humildade, humanidade e afeto. Conseguiu gerar um ambiente propício a risadas, reflexões e introspeções. De todos os escritores que conheci até hoje, consegue ser um dos que mais me surpreendeu pela positiva. Contem com a opinião de uma das suas obras para este ano!

Durante o evento, pude ler as primeiras páginas do 1º livro da sua trilogia:
"Uma escrita natural e acessível que aborda temas como a melancolia, a solidão e o silêncio duma forma cativante",
pensei.

Já conheciam a Flâneur? E o escritor João Tordo?

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

5 sítios no PORTO e 5 sítios em LISBOA onde sabe bem tomar café com um bom Livro na mão

  Para quem tem um livro especial, mas falta o sítio ideal, aqui está uma pequena lista com os sítios mais singulares para se ler, enquanto se degusta um café e um doce regional..

Porto

1. Flanêur
  Considerada uma das mais belas livrarias do Porto e com o atendimento mais personalizado, a Flanêur conta com uma notável seleção de livros, bebidas quentes, doces e, ao sábado, um famoso brunch temático.
2. Chiado Café Literário 
  Embora menos conhecido que a sua anterior, é um espaço com um extenso catálogo literário e uma cozinha tradicional. Está diretamente ligada à Chiado editora e a vários eventos literários.
Foto de Chiado Café Literário - Porto - Av. da Boavista.
  Possui um espaço amplo e luminoso, tem um quiosque especializado em publicações independentes e conta com pequenos lanches, onde se pode passar uma tarde agradável.
Foto de Manifesto.
  Com um toque rústico e vintage, possui uma decoração mais que original, com bebidas e alimentos artesanais e um conjunto de livros minuciosamente escolhidos.
Foto de Alambique.
  Espaço com uma bela biblioteca, possui tapas e refeições completas artesanais, a acompanhar com um catálogo apelativo de sumos naturais. Tem eventos especiais à quinta-feira.
Foto de Espiga.



Lisboa

  Livraria forrada por paredes repletas de livros, é anfitriã de vários movimentos culturais. Possui várias tapas e tem um ambiente muito acolhedor.
Foto de Livraria Ler Devagar.
  Imaginam um espaço que reúne livros, cafés e... gatos? Pois, esse sítio é o Aqui há Gato. Com decorações exuberantes e um pequeno vidro que separa o café da biblioteca (já que os gatos não podem coexistir com uma zona de alimentação (segunda a legislação). 
  À semelhança do café homónimo no Porto, conta com os maiores títulos nacionais, com vários encontros culturais, frequentes lançamentos de livros e a famosa ementa de hambúrgueres, saladas, tostas e torradas e o vinho da casa. 
Foto de Desassossego.
  Uma deliciosa mini-biblioteca assente numa antiga cabine telefónica. É baseada numa iniciativa comunitária "traz um livro, leva outro".
Foto de Cabine de Leitura.

  Um grande local turístico, com um histórico peculiar e ambiente quente e agradável. Tem disponível várias refeições e um brunch diário. Os livros são para troca ou vendo e as receitas revertem a favor da solidariedade.
Foto de Pois Café.

E daí? Conheciam algum deste sítios singulares?

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